quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ópera de Lâminas {Cap. 9}

  Por mais que estivessem impressionados com a façanha do novo companheiro, assim que o viram livre, agarraram seu braço e correram pelo corredor. As portas estavam todas trancadas, passavam por eles como vultos de ferro, não se ouvia barulho algum, até que o corredor se bifurcou, e quando iam se decidir pelo caminho a tomar, outro estrondo encheu seus ouvidos e tremeu o chão sob seus pés. E claramente vinha da esquerda. Sem pestanejar, foram os quatro a direita, e assim que acharam uma porta aberta, Vice agarrou seus companheiros e os empurrou pra dentro.

  - Hey! A gente tem que sair daqui cara! 
  - Sem um plano? Quase nos encontramos com o lugar onde toda essa confusão começou. Alguém aqui sabe pra onde ir?
  
  Silêncio.

  - Ótimo. Aonde fica a sala de armas? Preciso da minha Maça.
  -Então... - os três se remexeram - Seguindo este aqui, dois corredores à direita fica a sala de armas... E foi o mais longe que já chegamos. Não vamos pra lá de novo.
  - Como assim? Desistiram de seus armamentos???
  - Não é isso. E não nos culpe também... O problema é que não dá. Ele é esperto demais. tem um Troll Tribal guardando as armas.
  
  Novamente silêncio.

  - Certo, minhas desculpas. Realmente, não dá pra se abater um desses sem armas. - Fechou os olhos. Respirou profundamente, e quando abriu os olhos, havia uma determinação dentro deles... não daquelas frias e estáveis de quem vai cumprir seu dever, mas aquela que queima e vai atrás dos sonhos - Mas se alguém cuidasse dele enquanto vocês se armassem, não haveria problema.
  - O que? - o que estava sentado no chão, de cabelos longos e porte espadaúdo se levantou - Cara, você ta falando que aguenta em Troll Tribal na porrada? Esquece.
  - Não, só digo que assim que nos apresentarmos, seremos companheiros de batalha. E se for para proteger meus companheiros, caro amigo... - Vice era maior que os três, mas a altura que realmente impressionava vinha de sua expressão - Eu passo por cima de quaisquer Trolls que obstruírem meu caminho.

  - ... - não havia como negar, a vontade de fugir que já era imensa, tornava-se palpável no ar. Abrandou a expressão e ajeitou os cabelos. - Georgio. Esses são Rascall - o mais franzino acenou.- e Strike, mas chame-o de Bardo. - O que parecia ser o líder deu um sorriso.
  - Meu nome é Vice. Muito prazer aos senhores. Agora, acho que temos um compromisso sim? 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

E o Dragão levanta-se novamente!

É meus caros amigos, eu voltei! A Ópera de Lâminas volta!
Só um pouco de paciência, curte uma música legal aí que eu já estou preparando o próximo post, que volta com tudo!

  Ah, e só pra vocês saberem, isso daqui, é pra vocês me conhecerem. Toda a moral da história e a vida dentro dos personagens é um reflexo de quem eu sou, logo você que não me conhece, leia e me descubra. E você que já conhece, leia e me sinta por perto =]


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ópera de Lâminas {cap. 8}


8 – Esperança
   Quando os cavalos relaxaram o passo perto das muralhas, os soldados de Hauru perceberam algo estranho. Havia alguma coisa de diferente, uma tristeza no ar. E assim que entraram na cidade, confirmaram as suspeitas.
Andando em direção ao centro, onde a Rua Principal levava ao palácio, perceberam que a movimentação ia aumentando, enquanto as pessoas de preto iam falando baixo na mesma direção que eles.
  Chegando perto da Praça da Coroa, viram que ali havia um palco, onde um Astrain de vestes escuras dirigia-se aos presentes:
  - ...isso  estamos aqui hoje. Com profunda tristeza, faremos hoje as honras de um funeral simbólico, àqueles que pereceram em sua tarefa na Floresta dos Pinheiros. E decidi expressar-lhes publicamente meu pesar, pois não só fiéis mensageiros foram emboscados, como também um membro de minha própria Guarda Real... Vice, o Alto.
  As exclamações e os suspiros foram gerais, enquanto as pessoas recebiam ou lembravam-se da notícia. Por muito tempo ele fora do policiamento dentro da cidade, e estava sempre presente nas reconstruções e distribuições de rações após os ataques... Fatos lembrados no longo discurso de Astrain, que ressaltou sua amizade com ele em cada palavra que dizia.
  Assim que o discurso terminou, os guerreiros recém chegados recuperaram-se do choque, e foram atrás da comitiva real, agora composta por apenas dois integrantes. Alcançaram-nos  perto da entrada do palácio, e após uma breve boa vinda emocionada, entraram, para conversar melhor.
  - Ah, Hauru, é uma benção boas notícias em tempos como esse... e ver seu contingente voltar ileso é uma delas! Não inesperada, mas uma delas! – A tristeza do Callah parecia ter-se dissipado, embora ainda restasse traços de agonia, em uma velocidade ofuscante. E agora, dos poucos que restavam em sua companhia ao invés de terem ido descansar, apenas Hauru sabia o motivo. Por esse mesmo motivo, já tinha mandado seus homens descansar, sem expressar pesar à Astrain, deixando Nay e sua guarda um pouco desconcertados.
  - Meu Senhor... não entendo sua postura. – Tentou ela, com o maior respeito possível.
  - Perante a quê?
  - Meu Callah, essa é Nay, dos Nômades ao norte das Montanhas. Encontramo-nos saindo da floresta, eles com goblins no encalço e nós com armas nas mãos. E acho que nunca antes encontrou ela com Vice, senão já saberia o que se passa.
  - Entendi... Pois muito prazer Nay dos Nômades, ofereço a ti, teus homens e a qualquer um de seu povo a hospitalidade de Garimond. E quanto ao nosso soldado, por mais que algumas semanas tenha passado desaparecido, creio que ele não esteja morto. Mas não saber de seu paradeiro me preocupa.
  Um silêncio cobriu a sala. E pela primeira vez desde que cumprimentaram Hauru, os outros dois membros da guarda real se manifestaram.
  - Senhorita Nay, permita-me – disse o homem, alto, largo, cabelos negros, curtos, de fala grave e um jeito quieto – Por quase 7 anos servi junto de Vice guardando esse cidade, 4 deles como membros especiais na Guarda Real do próprio Callah, e nunca vi inimigo a altura daquele soldado. Juntos, derrubamos nada menos que dez trolls verdes na pior invasão que Garimond já sofreu, e eu sei que mesmo sozinho, nada o separaria de nós. Muito menos de sua esposa, que o aguarda com convicção até maior que de Astrain, se me permite. – terminou ele com um sorriso largo e sincero, fazendo os outros o acompanharem. E terminou o Callah, dizendo:
  - Nada podemos fazer agora, senão esperar. E não devemos nos ocupar com pensamentos de vingança, também. Apenas melhoremos a nós mesmos. E quando o inimigo chegar: mostremos com que força bate a espada que protege um amigo.
  Ao fim dessa curta conversa, os recém chegados foram para seus aposentos, e no dia de amanhã o conselho seria convocado para que as novidades fossem colocadas na mesa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Beco da Tempestade - Free Talk

E aí gente, como andam? Prazer, eu sou o Hauru, vulgo autor da história. Esse aqui vai ser o espaço onde eu posso trocar uma ideia com vocês, meus 2 leitores! (eu mesmo e minha mãe... mentira, minha mãe ainda não leu T.T) Entfim, gostaria que todos que visitassem e se interessassem pela história, respondam o questionário aqui, para que eu saiba que arestas aparar!

1) De onde é? Como achou o blog? Quantos anos tem? Seu nome!

2) O que está achando da história? Ela te traz algum sentimento? Qual seu personagem favorito? Por que?

Ok, são só essas, sobre vocês e sobre a história! Obrigado por responderem, e um dos motivos disso, é para lhes acalmar, pois sexta 5 capítulos virão!

Boa noite =]

domingo, 22 de julho de 2012

Ópera de Lâminas {cap. 7}


7 – Supresas
  Estava tudo escuro. Antes mesmo de abrir os olhos, Vice já sabia o que estava acontecendo. Estava pendurado pelos braços, por algemas e correntes de ferro, enquanto seus joelhos arqueavam sem força pra frente no chão. Sentiu cheiro de sangue... Não o seu, pois não havia dor pela qual ele pudesse ter saído, mas ainda sim, era sangue. Não sabia quanto tempo tinha apagado, embora fizesse uma idéia, pelas sensações do seu corpo. Mais que uma semana, com certeza, porém menos que três. Assim que ia abrir os olhos pra examinar de fato aquela cela fria e úmida, ouviu um barulho de correntes, e achou melhor fingir dormir, afinal, qualquer atenção lhe era indesejada, a situação não precisava piorar.
   - Gork, abra a cela.
  Barulho de chaves enferrujadas em uma fechadura de ferro velho e amargo. Era na sua cela.
  - Acorde, vassalo de Astrain.
 Silêncio.
  - Acorde, vassalo de Astrain.
  - É Callah-Astrain pra você, quem quer que seja.
 Abriu os olhos. Estava diante de um homem. Era alto, magro, pálido. Tinha um rosto tão jovem quanto de Astrain, porém seus olhos carregavam Eras de terror.
  - Pois bem. Levante tua cabeça e encare a morte.
  - Se fores tu minha morte, então que venha.
  De cabeça erguida, Vice viu o manto de escuridão que cobria aquele ser como se fizesse parte dele... viu a cruz prateada e toda inscrita em vermelho... lembrou de seus artifícios na floresta, e concordou. Era a morte.
  - Ah... tua fibra é deveras... persistente. Exatamente quem eu desejo retirar do teu querido Callah.
  Sem mais, levantou a cruz na altura do rosto de Vice.  Na prata, havia arabescos em vermelho vivo em contraste com o pálido...
  - Sou um Vampiro, homem. Um Antigo. E agora pelo meu sangue há muito seco, eu te amaldiçôo.
  Seus olhos tornaram-se opacos, como se não houvesse essência dentro deles, no que as palavras da cruz brilharam. Brilharam tão intensamente que saíram da prata, e penetraram o próprio ar ao redor. A cela se tornou mais escura, fria, com um toque de desespero no ar. E através da escuridão a luz sanguínea atravessou o espaço até começar a se enrolar no tórax e no braço esquerdo de Vice, quente como o próprio Inferno...
  E quando o maior estrondo que Vice já ouvira ecoou em seu peito, enquanto alguma ala da construção em que eles estavam, aparentemente explodiu, não houve reação alguma dos dois, tão abrupta fora a interrupção.
  Os dois olharam pra cima, quando rugidos encheram os aposentos, junto com um pouco de poeira e um vento gelado. Goblins gritavam em sua língua, chamando o Vampiro. Ele respondeu, calmo como um abismo, e virou-se de novo para Vice:
  - Salvo pelo gongo, como dizem. Aproveite o pouco que lhe resta de sanidade, parece que tenho assuntos à resolver. Até mais!
  E saiu, sutil e ininterrupto, por cima de uma poeira que parecia não tocá-lo.
  Ainda atordoado com os últimos acontecimentos, Vice demorou um ou dois instantes para se recompor e perceber que estava sozinho em meio a baderna que ocorria acima. Não teria tanta sorte duas vezes.
  Seu espírito de ferro reascendeu, e ele lembrou do que havia esperando seu retorno... o amigos, Astrain, Hauru, Gaublant... toda a glória de Garimond, onde tinha passado sua vida à proteger as muralhas que lhe eram tão caras... e sua esposa, que só de lhe aparecer na memória, o fazia outro homem.  Sim, pensando claramente, era óbvio que não iria falhar agora. Assim que ordenou os pensamentos, pessoas passaram correndo por sua cela, sorreteiramente e quando perceberam alguém ali, voltaram. Eram 3 homens de aspecto acabado e deprimente, parecendo famintos e sem esperança. Assim que o primeiro viu as algemas, pesar caiu-lhe sobre o rosto. Sua voz clara estava fraca, mas ainda guardava um pouco de nobreza:
  - Amigo! Que infelicidade a sua! Está algemado na única chance de fuga que temos há 7 anos! É com tristeza que lhe digo, não possuímos a chave, e nem tempo para buscá-la!
  E por mais estranho que isso parecesse, o homem bronzeado, com os cabelos no rosto e as tatuagens recentes na pele, soltou uma risada alta e orgulhosa, enquanto erguia o corpo sobre os próprios pés.
  - Então que felicidade a minha! Pois há muito que devo fazer ainda, além de alguém pra quem devo voltar, e não é este aço indigno que me impedirá!
  E retesando todos os músculos do torso, numa arrancada violenta, puxou os braços para frente, que arrancaram bruscamente a junção das correntes na parede, deixando-as caídas, penduradas em seus braços, em meio à poeira da pedra quebrada.
  - Por onde, agora?

sábado, 7 de julho de 2012

Ópera de Lâminas {cap. 6}

 6 - O Beco da Tempestade


  Já tarde da noite, enquanto todos reaviam suas forças, em um certo beco, abria uma certa taberna... Pois não os adiantava ficar abertos antes da madrugada, os clientes habituais não a frequentariam tão cedo. Mas agora sim, já era hora. E duas pessoas já estavam prontas pra discutirem assuntos muito interessantes...
  Assim que o primeiro vulto passou, mediano, magro, silencioso e ereto pelas sombras, sentiu o frio familiar percorrer-lhe o corpo. À sua direita, o mesmo toldo de sempre... ao fim do beco o mesmo sinal roxo escuro... A mesma Lua à Eras e Eras rodando com seu brilho no alto... e no canto direito mais afastado da entrada do beco, a mesma porta de madeira envernizada e imponente, com seus arabescos e palavras numa língua distante, dizendo "Olhar pra Dentro é Ver com Clareza o que Há Fora". E então as mesmas batidas na porta, tão orgulhosa de sua serventia. E lá de dentro, aquela voz tão macia, tão bonita e tão entendida do mundo dizendo:
  - Muito boa noite, senhorita Lyre. Vejo que hoje os assuntos são de grande importância. Entre, por obséquio.
  Como ele sabia do que sabia? Um mistério. Ele só sabia e pronto. Ele só via o que tinha pra ser visto. E a porta abria-se.
  Dentro, havia só o escuro. Lyre apanhou sua vela que cintilava azul dentro daquela atmosfera que oprimia até o fogo, e via só o que sua própria chama mostrava-lhe. Assim como todos os outros que se aventuravam naquela pousada que pendia entre as existências, Lyre sabia manter seu nariz apenas em seus próprios negócios. Era o mais sensato a se fazer. E enquanto a luz dançava pelo carpete do mais nobre veludo vermelho, por paredes ora de mármore, ora de madeira milenar, às vezes era possível um relance em outras salas. Viam-se homens esguios, mulheres profundas, e seres velhos como a morte. Mas era melhor deixá-los em seus respectivos cantos, pois a chave de prata pura em seu bolso, esquentou como se tivesse encontrado o lobisomem ao qual sua bala deveria matar. Era apenas o aviso de que seus aposentos eram aqueles. Enquanto entrava, a luz aumentou, e a vela agora mostrava-lhe um amplo quarto de encontros, com uma mesa de centro, cadeiras de espaldar alto e austero, e o outro vulto ainda cruzava o beco na cidade mais estranha do Mundo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

"Isso é o que você vê quando abre o menu usando o..."

Astrain.

Título: Callah
Arma: Durandal
Cabelo: Longo, liso e loiro ;D
Olhos: Cinza escuro
Estatura: 1,90 m
Peso: 80kg
Mote: "Alain, prepare meu Elmo-Coroa. Seu Callah vai à guerra."

About:

  Grande imperador, é alguém amado por todos em seu reino, pois embora seja imparcial e tenha um péssimo senso de humor, sempre age pelo bem de seu povo: Orgulha-se de ser Callah. Em seu círculo de amigos próximos está Vice, Alexander, Hauru e Ash, além de seu irmão Alain e qualquer súdito dentro do seu castelo. Tem como objetivo de vida manter livre e seguro qualquer pessoa no mundo e fará de tudo para isso. Seu maior medo, é de tomar alguma decisão que faça seu povo sofrer desnecessariamente, e de perder Ash.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ópera de Lâminas {cap.4-5, fechando o Prelúdio}


4 – Voz da Espada
  No salão Real, onde já se punha o Sol em um clarão morno, Alain, o Rubro, como era conhecido por  disparar tão bem suas flechas, que passavam entre as junções das armaduras inimigas tirando faíscas, sem nunca errar, ao lado de seu Senhor, Callah-Astrain, aquele que detinha a espada Antiga, Durandal, e cuja Coroa era um Elmo de Batalha, eram apenas dois irmãos saindo de uma sala decorada, indo encontrar uma parente na praça em frente ao Palácio de Mármore. Nada daquilo realmente importava...os tronos, o ouro, o Palácio, nem nada... Pois nos aposentos reais onde Astrain repousava, havia apenas seus livros, suas cartas, suas recordações de criança e alguns quadros. Além da cota, o elmo e a Espada. Aqueles aos quais ele nunca teria tomado por liberdade, mas que situações o fizeram rezar agradecido por tê-los. E era nesse  ambiente simples onde se encontrava com aquela que seria sua esposa, assim que voltasse da cidade onde  tinha ido passar uma época observando o treinamento da irmã mais nova, até a situação atual, causada por uma recente invasão goblin. O que fazia o Callah não se agüentar de vergonha, por ter seguido o conselho dos outros Callahs e aguardado, até que a situação chegasse nesse ponto. Embora seu irmão dissesse que a culpa não tinha sido dele, Astrain ainda sentia-se o causador disso tudo. Pior que a dor de não poder alcançar o inimigo com a espada, era a vergonha de virar as costas à um inimigo por burocracia de velhos gananciosos. Um erro que não seria cometido novamente. Dessa vez falaria mais alto a voz de Durandal,que há muito procura servir seu mestre.

5 – Encontro de Espadas
  À norte, a situação era um pouco mais... quente. Nay, uma mensageira de uma tribo nômade, que pensava em oferecer seu apreço ao Callah-Astrain por suas atitudes, estava sendo atacada com seus poucos companheiros que traziam a mensagem. Mesmo o alto porte dos homens do Norte não era o suficiente pra agüentarem os dois contingentes de goblins que atacavam desvairadamente, pois embora menores e menos potentes que os orcs, seu número alarmante era sua melhor arma, que funcionava bem em uma situação de quase 200 para  a comitiva de 20 nômades que era rechaçada. Nay brandia Sapientia, que derrubava inimigos, abrindo caminho... pois agora faltava pouco. Estavam à um dia de cavalgada da Cidade-Fortaleza de Garimond, onde a esperança de poder, ao menos morrer lutando, ainda existia. Agora muito marcada e reduzida, mas existia. Depois de meses cavalgando, 17 companheiros mortos nas mãos de meros goblins, a esperança quase morria. Quase. Pois além de Nay, ainda levantava-se ao seu lado Thya, a mestra de Skandi. As duas, à frente de dezoito homens ainda acreditavam, ainda esperavam. Embora fosse difícil saírem vivas mesmo da floresta, ainda resistem. E nenhuma esperança é vã.
  Por mais que os fatos seguintes fossem levar à inúmeras tristezas, as alegrias que deles derivariam eram tantas, que o Destino optou por fazê-los ocorrer. Pois a possibilidade de o esquadrão mais eficaz de Astrain estar passando por lá nesse momento era mínima. E ocorreu.
  Assim que estavam voltando nas planícies setentrionais de Garimond, o Capitão da tropa Prelúdio do Trovão avistou uma onda de goblins estourando em cima de uns poucos cavaleiros. Logo os viu, já redirecionou seus homens, que sempre decididos nas vontades do Callah, caíram com a fúria de uma tempestade no flanco direito do inimigo, mas, assim que viu a capitã que resgataria, o desempenho de Hauru cresceu tanto de preocupação e eloqüência, que mesmo seus subordinados se assustaram. Pois achou-a ele tão bela, tão forte e inspirava-o tantas coisas, que mesmo sem falar-lhe uma palavra sequer, sabia que não podia perdê-la. Sob essas circunstâncias, o ânimo dos nômades se reascendeu, assim como a força dos salvadores queimava em chamas douradas. Dandismo rugia aguda seus clamores altos entre as hostes que ficavam entre ela e a recém-amada de seu mestre, não parando em carne ou osso, madeira ou ferro.  Não importava a o quão minucioso tinha sido a manufatura do escudo, quão malhado e temperado fosse o ferro da espada ou quão espadaúdo fosse o inimigo que os portava: Dandismo os lançava ao ar como se o mundo dependesse disso. E dependia. Agora, todo seu mundo dependia de passar por mais algumas dezenas de inimigos. Dandismo era brandida. Menos goblins. E de novo. E menos inimigos. E de novo, e de novo e de novo, até que o último goblin fosse abatido por uma lambida certeira na garganta. E estavam salvos. E havia esperança. Mas a Sombra avançava.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Ópera de Lâminas - Parte 1 {cap 1-3}


Ópera de Lâminas  - Parte 1
   
 1 - Fúria - Dueto

  -  Inferno! – Foi o grito do Callah – título dado aos governantes de terras e fortalezas ainda praticantes da cultura monoteísta do deus Callah-Edh- fazendo tremer seus súditos e irmão. Não um tremor de medo, ou de susto, mas de tristeza e preocupação. Pois entre seu povo, Callah-Astrain era um governante amado, e entre seus amigos adorado, alguém que nunca levantava a voz fora de batalha... Mas a preocupação com quem amamos é algo que nos faz abrir exceções...
   -  Meu Senhor... tente acalmar-se... se tu continu-
  -  Alain! – em tom agora mais moderado – Meu irmão, entendo tua ânsia em acalmar-me, mas tente tu entender a angústia que sinto...  Já não retorna vivo à nós o terceiro mensageiro que mando ao reino de minha amada Ash... O pesar agora acompanha-me aonde quer que eu vá... Há dois anos, meu irmão! Dois anos não a vejo, e agora perco um mensageiro por mês, sem saber se foram emboscados, se a cidade está sitiada ou se houve o pior!
   -  Meu Senhor! Meu irmão! Ouça o que dizes! Onde há força capaz de atentar contra Ash, a Fortaleza, ainda mais com todo o amor que direcionas à ela? Ora, entendo o que sentes, não posso nem imaginar o que faria por minha esposa, mas tenha um pouco de fé!
  - ... – Após alguns instantes de ponderação, a ira parece abrandar-se, mas não o temor  - Estás certo Alain... devo desculpar-me contigo, e com meus servidores – sei que vosso silêncio não nega vossas preocupações, meus caros – e peço um pouco de paciência nesses momentos de agonia... Mas agora recomponho-me e ordeno que chamem aqui alguém para servir-me de mensageiro. Mas não um qualquer... dessa vez, que venha um Templário. Que venha o alto Vice, meu Guarda Real.

2 – Sombras - Ária

  Ao contrário da iluminada, confortável sala Real, a Floresta era escura. Era fria e escura... O vento que rugia entre as árvores era impiedoso e cortava gargantas como gelo enquanto voava veloz, açoitando um certo vulto abrindo caminho dentre os galhos... Mas pior do que esse, era o frio do coração... Pois ele sabia estar só. Sentia os quilômetros que o separava de todos aqueles que conhecia... daqueles que não conhecia... de todos. A escuridão era tudo à que se agarrar. Porém, o vulto não se curvava. Jamais. Sabia que nunca morreria sozinho. Sabia que, quando fosse, deixaria para aqueles que ficaram seu coração, e isso era todo o conforto e calor de que ele precisava para manter-se ereto e continuar com a missão dada por seu Callah. Ah, mas claro que não era apenas isso. Havia um reconfortante, conhecido som à tilintar no seu caminhar... O som de Álvarus, sua Maça de Guerra pendendo na sua cintura, numa tira de couro larga, grossa e gasta, como já pendia há anos, sem nunca deixar de esmagar aqueles à quem seu mestre ordenava, também o mantinha confiante. Porém, ela não seria o suficiente contra o que teria de enfrentar seu dono... Não há como desembainhar armas contra o medo. Não há como destroçar sombras.

3 – Dança de Álvarus - Continuação da Ária

  Assim que adentrou alguns quilômetros na Floresta, avistou luzes e vozes à frente. Vice achou mais sensato não arriscar, e, com Álvarus  preparada, avançou cautelosamente afim de espreitá-los.  Chegando á uns 20 metros da fogueira, percebeu que o acampamento havia sido montado para umas vinte pessoas, porém só metade estava sentada ao fogo. Escondendo-se na escuridão, pôde ouvi-los falando, mas sem vê-los,pois temendo arriscar-se demais,abaixou-se, mantendo-se sempre atrás de uma grande árvore, oculto:
  -  ...-ão! Duvido que Astrain acredite nisso! Aquele imbecil crê mais nesse amor do que eu em meu bolso... Vamos tentar algo menos arriscado... – sugeriu uma voz arrotada, impaciente -  Precisamos de um traidor entre eles, cacete! É tão difícil assim trair um loirinho apaixonado por um punhado de ouro? Bando de...
  - Gork, devo pedir uma última vez que mantenha seus modos, antes que eu seja obrigado a me despedir de ti abruptamente ... – interrompeu-o uma voz muito mais aveludada, macia, quase que hipnotizante... algo sobrenatural e perigoso. - E quanto a idéia da traição... realmente, é algo a se aproveitar. Assim como aquele amor tolo... Certamente outro mensageiro virá. Então façamos uma surpresa mais agradável dessa vez...
Uma revoada de vozes diversas, algumas fortes, outras suaves, voaram pelo frio da clareira, causando um arrepio desagradável em Vice, que decidiu ser hora para uma retirada sutil. Voltou-se para a trilha da qual veio, e começou a se distanciar da fogueira, com dobrado cuidado dessa vez.
  Após 2kms e meio, porém, sem nem se dar conta, avistou duas figuras à frente, que, assim que o viram, sacaram suas espadas. O maior veio primeiro, e sem perguntas, desceu num golpe vertical sua montante com velocidade considerável em Vice, que com desenvoltura inesperada à seu porte, a deixou no vácuo jogando seu ombro direito pra trás, movimento que preparou Álvarus já sacada para o ataque, que veio vertical e certeiro no braço armado de seu atacante, arrancando-o com um urro na junção do cotovelo. Assim que o menor veio por trás do ombro direito do companheiro, a rotação do tronco de Vice após a primeira investida tornou-se uma catapulta que jogou Álvarus contra o novo inimigo da direita pra esquerda, subindo ligeiramente. O espadachim abaixou-se, fazendo com que a maça passasse furiosa, em direção à cabeça do outro companheiro que estava na trajetória. Sem capacidade de reação, o maior inimigo teve seu elmo arrancado e seu corpo lançado pra trás, já sem vida, mas com a cabeça surpreendentemente no lugar, embora um pouco inutilizada. Assim que abaixou, o espadachim trouxe seu cotovelo do braço armado pra trás, e desferiu uma estocada ascendente contra o abdômen de seu atacante. Aproveitando a posição do braço direito esticado pra fora, Vice puxou Álvarus novamente para a esquerda, estilhaçando a espada do oponente, recuando um passo após esse último ataque, e antes que o inimigo pudesse levantar, aproveitou o solo irregular da Floresta que o impossibilitava de rolar para os lados, e desceu impiedosamente Álvarus contra ele, desacordando-o com uma pancada no tórax salvo pela cota de malha. No mesmo instante percebeu passos atrás de si, e virou-se no momento certo de jogar-se para direita, batendo o ombro em uma árvore para se apoiar, e deixar sua armadura peitoral repelir a punhalada que não o matou. A julgar pelo espanto desse novo adversário, era novato em batalhas corporais, mas o ar perverso em seu rosto avisou Vice à manter cautela. Assim que a mão livre do assassino entrou na bolsa pendurada na cintura, não houve dúvida, Vice agarrou a mão armada ainda esticada, e subiu Álvarus para separar o maxilar do resto do inimigo. Seu sentido quase sobre humano o fez virar à esquerda mais uma vez, e por cima dos primeiros derrotados, outro já zunia uma espada pequena verticalmente contra a junção de suas placas de armadura no flanco direito do abdômen. Rapidamente, Vice posicionou o cabo entre sua mão e a cabeça de Álvarus na trajetória, repelindo a força da espada, e virando-se novamente à esquerda, á tempo de segurar com a mão livre o cabo de uma nova lança que mirava o meio de suas costas, fazendo-a prisioneira entre seu braço e costelas sem se ferir. Sempre aproveitando a surpresa causada por suas habilidades, deixou de fazer força com Álvarus contra a espada e a virou no ombro do lanceiro, destroçando metal, carne e osso, ficando de costas para o novo espadachim, voltou seu ombro quebrando-o o nariz.
  - Huhuhu...
  Atordoado com a vinda daquela risada aveludada e perigosa de antes, Vice hesita por um instante.
  - Mas que jovem formidável esse... Com certeza vem dos Antigos...
  E então, sem saber de onde vinha a voz, a neblina e o medo, tudo ficou escuro...

Bem Vindos, e que a Ópera comece!

Bom, a princípio, como boas vindas à todos, desejo que se divirtam muito lendo meus textos, afinal, essa história é algo que faz parte de mim mais do que qualquer outra coisa. Tudo que eu sou, vai refletir nessas palavras.


Dedico essa história à todos que, mesmo não nascendo na Idade Média, têm verdadeira consideração por seus companheiros de espada.