quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ópera de Lâminas {cap.4-5, fechando o Prelúdio}


4 – Voz da Espada
  No salão Real, onde já se punha o Sol em um clarão morno, Alain, o Rubro, como era conhecido por  disparar tão bem suas flechas, que passavam entre as junções das armaduras inimigas tirando faíscas, sem nunca errar, ao lado de seu Senhor, Callah-Astrain, aquele que detinha a espada Antiga, Durandal, e cuja Coroa era um Elmo de Batalha, eram apenas dois irmãos saindo de uma sala decorada, indo encontrar uma parente na praça em frente ao Palácio de Mármore. Nada daquilo realmente importava...os tronos, o ouro, o Palácio, nem nada... Pois nos aposentos reais onde Astrain repousava, havia apenas seus livros, suas cartas, suas recordações de criança e alguns quadros. Além da cota, o elmo e a Espada. Aqueles aos quais ele nunca teria tomado por liberdade, mas que situações o fizeram rezar agradecido por tê-los. E era nesse  ambiente simples onde se encontrava com aquela que seria sua esposa, assim que voltasse da cidade onde  tinha ido passar uma época observando o treinamento da irmã mais nova, até a situação atual, causada por uma recente invasão goblin. O que fazia o Callah não se agüentar de vergonha, por ter seguido o conselho dos outros Callahs e aguardado, até que a situação chegasse nesse ponto. Embora seu irmão dissesse que a culpa não tinha sido dele, Astrain ainda sentia-se o causador disso tudo. Pior que a dor de não poder alcançar o inimigo com a espada, era a vergonha de virar as costas à um inimigo por burocracia de velhos gananciosos. Um erro que não seria cometido novamente. Dessa vez falaria mais alto a voz de Durandal,que há muito procura servir seu mestre.

5 – Encontro de Espadas
  À norte, a situação era um pouco mais... quente. Nay, uma mensageira de uma tribo nômade, que pensava em oferecer seu apreço ao Callah-Astrain por suas atitudes, estava sendo atacada com seus poucos companheiros que traziam a mensagem. Mesmo o alto porte dos homens do Norte não era o suficiente pra agüentarem os dois contingentes de goblins que atacavam desvairadamente, pois embora menores e menos potentes que os orcs, seu número alarmante era sua melhor arma, que funcionava bem em uma situação de quase 200 para  a comitiva de 20 nômades que era rechaçada. Nay brandia Sapientia, que derrubava inimigos, abrindo caminho... pois agora faltava pouco. Estavam à um dia de cavalgada da Cidade-Fortaleza de Garimond, onde a esperança de poder, ao menos morrer lutando, ainda existia. Agora muito marcada e reduzida, mas existia. Depois de meses cavalgando, 17 companheiros mortos nas mãos de meros goblins, a esperança quase morria. Quase. Pois além de Nay, ainda levantava-se ao seu lado Thya, a mestra de Skandi. As duas, à frente de dezoito homens ainda acreditavam, ainda esperavam. Embora fosse difícil saírem vivas mesmo da floresta, ainda resistem. E nenhuma esperança é vã.
  Por mais que os fatos seguintes fossem levar à inúmeras tristezas, as alegrias que deles derivariam eram tantas, que o Destino optou por fazê-los ocorrer. Pois a possibilidade de o esquadrão mais eficaz de Astrain estar passando por lá nesse momento era mínima. E ocorreu.
  Assim que estavam voltando nas planícies setentrionais de Garimond, o Capitão da tropa Prelúdio do Trovão avistou uma onda de goblins estourando em cima de uns poucos cavaleiros. Logo os viu, já redirecionou seus homens, que sempre decididos nas vontades do Callah, caíram com a fúria de uma tempestade no flanco direito do inimigo, mas, assim que viu a capitã que resgataria, o desempenho de Hauru cresceu tanto de preocupação e eloqüência, que mesmo seus subordinados se assustaram. Pois achou-a ele tão bela, tão forte e inspirava-o tantas coisas, que mesmo sem falar-lhe uma palavra sequer, sabia que não podia perdê-la. Sob essas circunstâncias, o ânimo dos nômades se reascendeu, assim como a força dos salvadores queimava em chamas douradas. Dandismo rugia aguda seus clamores altos entre as hostes que ficavam entre ela e a recém-amada de seu mestre, não parando em carne ou osso, madeira ou ferro.  Não importava a o quão minucioso tinha sido a manufatura do escudo, quão malhado e temperado fosse o ferro da espada ou quão espadaúdo fosse o inimigo que os portava: Dandismo os lançava ao ar como se o mundo dependesse disso. E dependia. Agora, todo seu mundo dependia de passar por mais algumas dezenas de inimigos. Dandismo era brandida. Menos goblins. E de novo. E menos inimigos. E de novo, e de novo e de novo, até que o último goblin fosse abatido por uma lambida certeira na garganta. E estavam salvos. E havia esperança. Mas a Sombra avançava.


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