6 - O Beco da Tempestade
Já tarde da noite, enquanto todos reaviam suas forças, em um certo beco, abria uma certa taberna... Pois não os adiantava ficar abertos antes da madrugada, os clientes habituais não a frequentariam tão cedo. Mas agora sim, já era hora. E duas pessoas já estavam prontas pra discutirem assuntos muito interessantes...
Assim que o primeiro vulto passou, mediano, magro, silencioso e ereto pelas sombras, sentiu o frio familiar percorrer-lhe o corpo. À sua direita, o mesmo toldo de sempre... ao fim do beco o mesmo sinal roxo escuro... A mesma Lua à Eras e Eras rodando com seu brilho no alto... e no canto direito mais afastado da entrada do beco, a mesma porta de madeira envernizada e imponente, com seus arabescos e palavras numa língua distante, dizendo "Olhar pra Dentro é Ver com Clareza o que Há Fora". E então as mesmas batidas na porta, tão orgulhosa de sua serventia. E lá de dentro, aquela voz tão macia, tão bonita e tão entendida do mundo dizendo:
- Muito boa noite, senhorita Lyre. Vejo que hoje os assuntos são de grande importância. Entre, por obséquio.
Como ele sabia do que sabia? Um mistério. Ele só sabia e pronto. Ele só via o que tinha pra ser visto. E a porta abria-se.
Dentro, havia só o escuro. Lyre apanhou sua vela que cintilava azul dentro daquela atmosfera que oprimia até o fogo, e via só o que sua própria chama mostrava-lhe. Assim como todos os outros que se aventuravam naquela pousada que pendia entre as existências, Lyre sabia manter seu nariz apenas em seus próprios negócios. Era o mais sensato a se fazer. E enquanto a luz dançava pelo carpete do mais nobre veludo vermelho, por paredes ora de mármore, ora de madeira milenar, às vezes era possível um relance em outras salas. Viam-se homens esguios, mulheres profundas, e seres velhos como a morte. Mas era melhor deixá-los em seus respectivos cantos, pois a chave de prata pura em seu bolso, esquentou como se tivesse encontrado o lobisomem ao qual sua bala deveria matar. Era apenas o aviso de que seus aposentos eram aqueles. Enquanto entrava, a luz aumentou, e a vela agora mostrava-lhe um amplo quarto de encontros, com uma mesa de centro, cadeiras de espaldar alto e austero, e o outro vulto ainda cruzava o beco na cidade mais estranha do Mundo.
Já tarde da noite, enquanto todos reaviam suas forças, em um certo beco, abria uma certa taberna... Pois não os adiantava ficar abertos antes da madrugada, os clientes habituais não a frequentariam tão cedo. Mas agora sim, já era hora. E duas pessoas já estavam prontas pra discutirem assuntos muito interessantes...
Assim que o primeiro vulto passou, mediano, magro, silencioso e ereto pelas sombras, sentiu o frio familiar percorrer-lhe o corpo. À sua direita, o mesmo toldo de sempre... ao fim do beco o mesmo sinal roxo escuro... A mesma Lua à Eras e Eras rodando com seu brilho no alto... e no canto direito mais afastado da entrada do beco, a mesma porta de madeira envernizada e imponente, com seus arabescos e palavras numa língua distante, dizendo "Olhar pra Dentro é Ver com Clareza o que Há Fora". E então as mesmas batidas na porta, tão orgulhosa de sua serventia. E lá de dentro, aquela voz tão macia, tão bonita e tão entendida do mundo dizendo:
- Muito boa noite, senhorita Lyre. Vejo que hoje os assuntos são de grande importância. Entre, por obséquio.
Como ele sabia do que sabia? Um mistério. Ele só sabia e pronto. Ele só via o que tinha pra ser visto. E a porta abria-se.
Dentro, havia só o escuro. Lyre apanhou sua vela que cintilava azul dentro daquela atmosfera que oprimia até o fogo, e via só o que sua própria chama mostrava-lhe. Assim como todos os outros que se aventuravam naquela pousada que pendia entre as existências, Lyre sabia manter seu nariz apenas em seus próprios negócios. Era o mais sensato a se fazer. E enquanto a luz dançava pelo carpete do mais nobre veludo vermelho, por paredes ora de mármore, ora de madeira milenar, às vezes era possível um relance em outras salas. Viam-se homens esguios, mulheres profundas, e seres velhos como a morte. Mas era melhor deixá-los em seus respectivos cantos, pois a chave de prata pura em seu bolso, esquentou como se tivesse encontrado o lobisomem ao qual sua bala deveria matar. Era apenas o aviso de que seus aposentos eram aqueles. Enquanto entrava, a luz aumentou, e a vela agora mostrava-lhe um amplo quarto de encontros, com uma mesa de centro, cadeiras de espaldar alto e austero, e o outro vulto ainda cruzava o beco na cidade mais estranha do Mundo.
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