segunda-feira, 23 de julho de 2012

Beco da Tempestade - Free Talk

E aí gente, como andam? Prazer, eu sou o Hauru, vulgo autor da história. Esse aqui vai ser o espaço onde eu posso trocar uma ideia com vocês, meus 2 leitores! (eu mesmo e minha mãe... mentira, minha mãe ainda não leu T.T) Entfim, gostaria que todos que visitassem e se interessassem pela história, respondam o questionário aqui, para que eu saiba que arestas aparar!

1) De onde é? Como achou o blog? Quantos anos tem? Seu nome!

2) O que está achando da história? Ela te traz algum sentimento? Qual seu personagem favorito? Por que?

Ok, são só essas, sobre vocês e sobre a história! Obrigado por responderem, e um dos motivos disso, é para lhes acalmar, pois sexta 5 capítulos virão!

Boa noite =]

domingo, 22 de julho de 2012

Ópera de Lâminas {cap. 7}


7 – Supresas
  Estava tudo escuro. Antes mesmo de abrir os olhos, Vice já sabia o que estava acontecendo. Estava pendurado pelos braços, por algemas e correntes de ferro, enquanto seus joelhos arqueavam sem força pra frente no chão. Sentiu cheiro de sangue... Não o seu, pois não havia dor pela qual ele pudesse ter saído, mas ainda sim, era sangue. Não sabia quanto tempo tinha apagado, embora fizesse uma idéia, pelas sensações do seu corpo. Mais que uma semana, com certeza, porém menos que três. Assim que ia abrir os olhos pra examinar de fato aquela cela fria e úmida, ouviu um barulho de correntes, e achou melhor fingir dormir, afinal, qualquer atenção lhe era indesejada, a situação não precisava piorar.
   - Gork, abra a cela.
  Barulho de chaves enferrujadas em uma fechadura de ferro velho e amargo. Era na sua cela.
  - Acorde, vassalo de Astrain.
 Silêncio.
  - Acorde, vassalo de Astrain.
  - É Callah-Astrain pra você, quem quer que seja.
 Abriu os olhos. Estava diante de um homem. Era alto, magro, pálido. Tinha um rosto tão jovem quanto de Astrain, porém seus olhos carregavam Eras de terror.
  - Pois bem. Levante tua cabeça e encare a morte.
  - Se fores tu minha morte, então que venha.
  De cabeça erguida, Vice viu o manto de escuridão que cobria aquele ser como se fizesse parte dele... viu a cruz prateada e toda inscrita em vermelho... lembrou de seus artifícios na floresta, e concordou. Era a morte.
  - Ah... tua fibra é deveras... persistente. Exatamente quem eu desejo retirar do teu querido Callah.
  Sem mais, levantou a cruz na altura do rosto de Vice.  Na prata, havia arabescos em vermelho vivo em contraste com o pálido...
  - Sou um Vampiro, homem. Um Antigo. E agora pelo meu sangue há muito seco, eu te amaldiçôo.
  Seus olhos tornaram-se opacos, como se não houvesse essência dentro deles, no que as palavras da cruz brilharam. Brilharam tão intensamente que saíram da prata, e penetraram o próprio ar ao redor. A cela se tornou mais escura, fria, com um toque de desespero no ar. E através da escuridão a luz sanguínea atravessou o espaço até começar a se enrolar no tórax e no braço esquerdo de Vice, quente como o próprio Inferno...
  E quando o maior estrondo que Vice já ouvira ecoou em seu peito, enquanto alguma ala da construção em que eles estavam, aparentemente explodiu, não houve reação alguma dos dois, tão abrupta fora a interrupção.
  Os dois olharam pra cima, quando rugidos encheram os aposentos, junto com um pouco de poeira e um vento gelado. Goblins gritavam em sua língua, chamando o Vampiro. Ele respondeu, calmo como um abismo, e virou-se de novo para Vice:
  - Salvo pelo gongo, como dizem. Aproveite o pouco que lhe resta de sanidade, parece que tenho assuntos à resolver. Até mais!
  E saiu, sutil e ininterrupto, por cima de uma poeira que parecia não tocá-lo.
  Ainda atordoado com os últimos acontecimentos, Vice demorou um ou dois instantes para se recompor e perceber que estava sozinho em meio a baderna que ocorria acima. Não teria tanta sorte duas vezes.
  Seu espírito de ferro reascendeu, e ele lembrou do que havia esperando seu retorno... o amigos, Astrain, Hauru, Gaublant... toda a glória de Garimond, onde tinha passado sua vida à proteger as muralhas que lhe eram tão caras... e sua esposa, que só de lhe aparecer na memória, o fazia outro homem.  Sim, pensando claramente, era óbvio que não iria falhar agora. Assim que ordenou os pensamentos, pessoas passaram correndo por sua cela, sorreteiramente e quando perceberam alguém ali, voltaram. Eram 3 homens de aspecto acabado e deprimente, parecendo famintos e sem esperança. Assim que o primeiro viu as algemas, pesar caiu-lhe sobre o rosto. Sua voz clara estava fraca, mas ainda guardava um pouco de nobreza:
  - Amigo! Que infelicidade a sua! Está algemado na única chance de fuga que temos há 7 anos! É com tristeza que lhe digo, não possuímos a chave, e nem tempo para buscá-la!
  E por mais estranho que isso parecesse, o homem bronzeado, com os cabelos no rosto e as tatuagens recentes na pele, soltou uma risada alta e orgulhosa, enquanto erguia o corpo sobre os próprios pés.
  - Então que felicidade a minha! Pois há muito que devo fazer ainda, além de alguém pra quem devo voltar, e não é este aço indigno que me impedirá!
  E retesando todos os músculos do torso, numa arrancada violenta, puxou os braços para frente, que arrancaram bruscamente a junção das correntes na parede, deixando-as caídas, penduradas em seus braços, em meio à poeira da pedra quebrada.
  - Por onde, agora?

sábado, 7 de julho de 2012

Ópera de Lâminas {cap. 6}

 6 - O Beco da Tempestade


  Já tarde da noite, enquanto todos reaviam suas forças, em um certo beco, abria uma certa taberna... Pois não os adiantava ficar abertos antes da madrugada, os clientes habituais não a frequentariam tão cedo. Mas agora sim, já era hora. E duas pessoas já estavam prontas pra discutirem assuntos muito interessantes...
  Assim que o primeiro vulto passou, mediano, magro, silencioso e ereto pelas sombras, sentiu o frio familiar percorrer-lhe o corpo. À sua direita, o mesmo toldo de sempre... ao fim do beco o mesmo sinal roxo escuro... A mesma Lua à Eras e Eras rodando com seu brilho no alto... e no canto direito mais afastado da entrada do beco, a mesma porta de madeira envernizada e imponente, com seus arabescos e palavras numa língua distante, dizendo "Olhar pra Dentro é Ver com Clareza o que Há Fora". E então as mesmas batidas na porta, tão orgulhosa de sua serventia. E lá de dentro, aquela voz tão macia, tão bonita e tão entendida do mundo dizendo:
  - Muito boa noite, senhorita Lyre. Vejo que hoje os assuntos são de grande importância. Entre, por obséquio.
  Como ele sabia do que sabia? Um mistério. Ele só sabia e pronto. Ele só via o que tinha pra ser visto. E a porta abria-se.
  Dentro, havia só o escuro. Lyre apanhou sua vela que cintilava azul dentro daquela atmosfera que oprimia até o fogo, e via só o que sua própria chama mostrava-lhe. Assim como todos os outros que se aventuravam naquela pousada que pendia entre as existências, Lyre sabia manter seu nariz apenas em seus próprios negócios. Era o mais sensato a se fazer. E enquanto a luz dançava pelo carpete do mais nobre veludo vermelho, por paredes ora de mármore, ora de madeira milenar, às vezes era possível um relance em outras salas. Viam-se homens esguios, mulheres profundas, e seres velhos como a morte. Mas era melhor deixá-los em seus respectivos cantos, pois a chave de prata pura em seu bolso, esquentou como se tivesse encontrado o lobisomem ao qual sua bala deveria matar. Era apenas o aviso de que seus aposentos eram aqueles. Enquanto entrava, a luz aumentou, e a vela agora mostrava-lhe um amplo quarto de encontros, com uma mesa de centro, cadeiras de espaldar alto e austero, e o outro vulto ainda cruzava o beco na cidade mais estranha do Mundo.