quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ópera de Lâminas {cap. 8}


8 – Esperança
   Quando os cavalos relaxaram o passo perto das muralhas, os soldados de Hauru perceberam algo estranho. Havia alguma coisa de diferente, uma tristeza no ar. E assim que entraram na cidade, confirmaram as suspeitas.
Andando em direção ao centro, onde a Rua Principal levava ao palácio, perceberam que a movimentação ia aumentando, enquanto as pessoas de preto iam falando baixo na mesma direção que eles.
  Chegando perto da Praça da Coroa, viram que ali havia um palco, onde um Astrain de vestes escuras dirigia-se aos presentes:
  - ...isso  estamos aqui hoje. Com profunda tristeza, faremos hoje as honras de um funeral simbólico, àqueles que pereceram em sua tarefa na Floresta dos Pinheiros. E decidi expressar-lhes publicamente meu pesar, pois não só fiéis mensageiros foram emboscados, como também um membro de minha própria Guarda Real... Vice, o Alto.
  As exclamações e os suspiros foram gerais, enquanto as pessoas recebiam ou lembravam-se da notícia. Por muito tempo ele fora do policiamento dentro da cidade, e estava sempre presente nas reconstruções e distribuições de rações após os ataques... Fatos lembrados no longo discurso de Astrain, que ressaltou sua amizade com ele em cada palavra que dizia.
  Assim que o discurso terminou, os guerreiros recém chegados recuperaram-se do choque, e foram atrás da comitiva real, agora composta por apenas dois integrantes. Alcançaram-nos  perto da entrada do palácio, e após uma breve boa vinda emocionada, entraram, para conversar melhor.
  - Ah, Hauru, é uma benção boas notícias em tempos como esse... e ver seu contingente voltar ileso é uma delas! Não inesperada, mas uma delas! – A tristeza do Callah parecia ter-se dissipado, embora ainda restasse traços de agonia, em uma velocidade ofuscante. E agora, dos poucos que restavam em sua companhia ao invés de terem ido descansar, apenas Hauru sabia o motivo. Por esse mesmo motivo, já tinha mandado seus homens descansar, sem expressar pesar à Astrain, deixando Nay e sua guarda um pouco desconcertados.
  - Meu Senhor... não entendo sua postura. – Tentou ela, com o maior respeito possível.
  - Perante a quê?
  - Meu Callah, essa é Nay, dos Nômades ao norte das Montanhas. Encontramo-nos saindo da floresta, eles com goblins no encalço e nós com armas nas mãos. E acho que nunca antes encontrou ela com Vice, senão já saberia o que se passa.
  - Entendi... Pois muito prazer Nay dos Nômades, ofereço a ti, teus homens e a qualquer um de seu povo a hospitalidade de Garimond. E quanto ao nosso soldado, por mais que algumas semanas tenha passado desaparecido, creio que ele não esteja morto. Mas não saber de seu paradeiro me preocupa.
  Um silêncio cobriu a sala. E pela primeira vez desde que cumprimentaram Hauru, os outros dois membros da guarda real se manifestaram.
  - Senhorita Nay, permita-me – disse o homem, alto, largo, cabelos negros, curtos, de fala grave e um jeito quieto – Por quase 7 anos servi junto de Vice guardando esse cidade, 4 deles como membros especiais na Guarda Real do próprio Callah, e nunca vi inimigo a altura daquele soldado. Juntos, derrubamos nada menos que dez trolls verdes na pior invasão que Garimond já sofreu, e eu sei que mesmo sozinho, nada o separaria de nós. Muito menos de sua esposa, que o aguarda com convicção até maior que de Astrain, se me permite. – terminou ele com um sorriso largo e sincero, fazendo os outros o acompanharem. E terminou o Callah, dizendo:
  - Nada podemos fazer agora, senão esperar. E não devemos nos ocupar com pensamentos de vingança, também. Apenas melhoremos a nós mesmos. E quando o inimigo chegar: mostremos com que força bate a espada que protege um amigo.
  Ao fim dessa curta conversa, os recém chegados foram para seus aposentos, e no dia de amanhã o conselho seria convocado para que as novidades fossem colocadas na mesa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário